Direção:
Park Chan Wook
Roteiro:
Chung Seo Kyung
Produção: Park Chan Wook e Syd Lim
Adaptação de: Fingersmith de Sarah Waters
Distribuição: CJ Entertainment
Duração: 145min
Gênero: Erótico, Drama, Psicológico
País: Coréia do Sul
Ano: 2016
Na
década de 30, durante a ocupação japonesa na Coréia do Sul, Sook Hee (Kim Tae
Ri), uma garota que cresceu em meio a trapaças e enganações, é chamada para
participar de um golpe que a tornaria rica. Nele, ela deveria se passar por uma
criada e fazer com que a peculiar herdeira, Hideko (Kim Min hee), se apaixone
pelo vigarista Conde Fujiwara (Ha Jung Woo). Tudo começa a ir bem, até que Sook
Hee descobre coisas sobre si mesma que mudam tudo.
“A
Criada” já estava há um tempo em minha lista na Netflix (sim, esse filme tem
lá) e por um milagre decidi assistir ele ontem. Park Chan Wook é considerado um
dos melhores diretores sul-coreanos, então mal via a hora de poder conferir um
de seus trabalhos. Fiquei muito feliz de começar com esse e já coloquei Oldboy
(outro filme dele que dizem que é incrível) em minha lista.
Vou
começar falando sobre um elemento que tem nesse filme e que se você não gosta é
melhor parar de ler e resenha e procurar outra coisa para assistir: o erotismo.
Sim, embora os k-dramas sul-coreanos sejam super inocentes e tenham um único
beijo em 20 episódios, aparentemente nos filmes não acontece a mesma coisa. “A
Criada” possui cenas bem eróticas, as quais mostram cenas muito explícitas de
sexo lgbt. “O que? Eu escutei certo?” Sim, você escutou certíssimo. A cenas
eróticas e românticas do filme são protagonizadas por duas mulheres. Se você
não gosta de cenas muito explícitas (como eu), é só você pular essas partes e
assistir o restante da história.
E
vou falar uma coisa: “A Criada” vale muito a pena. Eu terminei o filme e fiquei
um tempão pensando em como sua história é excelente. Ela possui um roteiro
muito consistente e reviravoltas surpreendentes. Eu jamais imaginaria que a
trama se desenrolaria daquele jeito, pois você não tem nenhum indicativo do que
vai acontecer até o último instante. E o fato da história ter se passado em um
momento delicado da história sul-coreana (a ocupação japonesa) só deu um ar
mais grave para os acontecimentos e um tom sombrio para tudo. Realmente gostei muito!
<3
E
embora tenhamos personagens com um desenvolvimento muito legal de se
acompanhar, como a própria Sook Hee, quem acabou roubando a cena foi a
Senhorita Hideko. Ela é uma personagem com uma personalidade e um passado muito
complexos, o que só nos é contado na segunda parte do filme. Seu tio, Kouzuki
(Jo Jin Woong), é uma das pessoas mais terríveis e nojentas que eu já vi em um
filme, sendo responsável por grande parte da carga psicológica dele e pelo
sofrimento dela. Mas não posso negar que tudo de horrível que ele fez moldou a
Hideko que ela é hoje: inteligente, sagaz e que consegue ter empatia pelas
pessoas.
“A
Criada” conseguiu mostrar com perfeição como era a Coréia do Sul em um período
em que as mulheres eram super controladas e tinham que se sujeitar a vontade
dos homens. Eu realmente fiquei horrorizada quando descobri alguns elementos da
história, que mostravam como alguns homens conseguiam ser ruins e depravados
(sem querer generalizar, não é gente?). E ver como as protagonistas conseguiram
superar certas amarras só tornou a trama mais gratificante de se ver.
A
fotografia desse filme também foi super bem feita, com jogos de luzes e cores
que combinavam totalmente com o tom sombrio e psicológico da história. Se você
for perceber bem, até mesmo as cores das roupas ou de certos objetos em alguns
ambientes tinham um significado implícito que acrescentava algo a trama. É só
prestar muita atenção em tudo que você também vai perceber.
E o
final, na minha opinião, não poderia ter sido melhor. E não poderia faltar um
pouquinho de sangue e tortura em uma história que a carga psicológica é muito
alta. “A Criada” é um filme que não poupa muito o telespectador das atrocidades
que o ser humano pode cometer, sendo muito real em suas cenas. O desenvolvimento
dos personagens e da história é o que mais chama a atenção e sustenta a trama,
fazendo com que você não sinta os 145 minutos de filme.
Nota: 9.0
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